Feliz dia das mães, mas não estamos contratando mulheres com filhos.

O Dia das Mães é uma das datas comemorativas mais importantes para o comércio. Perdendo apenas para o Natal. A estimativa para este ano era de que a data movimentasse R$ 9,2 bilhões.

Não é à toa que vemos tantos estímulos comerciais nessa época do ano. Propagandas para todos os gostos: bem-humoradas, emocionantes, modernas, reforçando velhos estereótipos e até aquelas que se propõem a questionar o papel da mãe na nossa sociedade. Mas o objetivo é simples: todos querem sua fatia desse bolo.

Enquanto o marketing das empresas se preocupa com homenagens no mês de maio, o RH das empresas enxerga as mães como um problema.

A maioria das profissionais brasileiras não retorna ao trabalho após a licença-maternidade, de acordo com pesquisa global realizada pela Robert Half. Muitas são demitidas assim que retornam da licença-maternidade.

De acordo com a presidente da ABRH, Elaine Medeiros, ainda é comum que as mulheres que voltam ao trabalho, após a licença-maternidade, sejam demitidas pelas empresas, que buscam profissionais que possam dedicar mais tempo às atividades.

A recolocação no mercado de trabalho para as mães também é um grande obstáculo pois muitas empresas rejeitam as candidatas que têm filhos pequenos.

Um post viralizou esta semana mostrando esta realidade:

Apesar de ilegal, de acordo com a Lei nº 9.029/1995,é muito comum encontrar anúncios no quais a empresa informa que não aceita mães para a vaga de trabalho. E, mesmo quando esta informação não consta no descritivo da vaga, é extremamente comum perguntarem para as mulheres se elas são mães e as idades dos filhos. Um exemplo disso foi o caso da Sonia Cristina Tomiyoshi, amplamente divulgado no começo deste ano.

O mesmo não ocorre com os homens, como bem satiriza o vídeo “Como seria se pais fossem cobrados como mães” da DRelacionamentos. Uma das esquetes é de um pai sendo entrevistado para um vaga de emprego e sendo rejeitado por ser pai:

As mulheres ainda são as principais responsáveis pelos cuidados com os filhos e com a casa.

90% das mulheres fazem tarefas domésticas; entre homens, o índice chega a 40%. As mulheres dedicam, em média, 27,7 horas por semana para afazeres domésticos, enquanto os homens dedicam 11,2 horas semanais. 57,7% das mulheres casadas ou em união estável afirmam que são as principais responsáveis pelos cuidados com os filhos, contra 36,4% que dizem que as responsabilidades são distribuídas igualmente. Outros 1,4% afirmam que o cônjuge é o principal responsável, enquanto outros 4,5% afirmaram não saber. (PNAD)

Soma-se a isso o fato de que apesar de já estarmos em 2017, mulheres ainda ganham menos do que os homens.

A renda das mulheres equivale a 76% da dos homens (PNAD). A diferença salarial entre mulheres e homens no Brasil é uma das maiores do mundo e equiparar a condição dos dois sexos no País levará um século, segundo Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2016 do Fórum Econômico Mundial.

Mulheres são vistas pela nossa sociedade como principais responsáveis pelo cuidado com os filhos e com a casa. Trabalham mais e ganham menos. E, em função disso, quando alguém precisa se ausentar do trabalho porque o filho está doente, este papel quase sempre cai no colo da mãe.

Paralelo a tudo isso ainda temos os altos cultos com a terceirização dos cuidados infantis. Se pai e mãe trabalham, quem cuida das crianças? Segundo dados do Observatório do PNE, elaborado pelo Todos pela Educação, com base em informações do IBGE, até 2013, apenas 27,9% das crianças frequentavam creches. A falta de vagas em creches públicas é um problema que vem se repetindo ao longo dos anos, provocando filas de espera em várias regiões do país. Apesar de ser um direito garantido por lei, muitas mães precisam recorrer à justiça para garantir uma vaga e nem sempre são atendidas.

É emergencial discutir o papel dos homens na criação de seus filhos e no cuidado de suas casas. Também é emergencial discutir a flexibilização no mercado de trabalho, a equiparação salarial e igualdade de oportunidades no mercado de trabalho entre os gêneros. Assim como é emergencial revermos como estamos lidando com a infância, fase primordial para construção do carácter das pessoas e que irá determinar a próxima geração da nossa sociedade.

Enquanto nada disso se resolve continuamos com as “homenagens” que pouco agregam no dia a dia das tão sobrecarregadas mães.

Comentário

comentários

Sem Comentários

Deixe um Comentário: