Fali um ecommerce e encontrei meu propósito

Minha vida mudou no dia em que meu teste de gravidez deu positivo. Isso aconteceu em 2013. Eu tinha uma carreira consolidada, era uma verdadeira workaholic e amava trabalhar exaustivamente, as vezes passar uma semana fora. Durante a gravidez já comecei a questionar “como continuar nesse ritmo com um bebê em casa?”. Eu viajava muito, meu horário de trabalho sempre acaba se estendendo.

O tempo passou. Em abril de 2014 a Isabela chegou. Meu tempo em planejar e executar eventos corporativos e treinamentos deu espaço pra uma bebê bochechuda, que demandava muito de mim. Mas meu salário era o maior da casa! Além disso, eu não queria (e nem podia) abrir mão de trabalhar. .

Eis que, depois de longas conversas, eu solicitei uma reunião, dois dias antes do fim da minha licença maternidade, e pedi demissão.

 

Depois de seis anos me dedicando àquela empresa, havia uma nova missão na minha vida. Criar um criança e me reinventar. Foram necessárias várias mudanças no nosso estilo de vida – vendemos nosso carro, mudamos de apartamento e readequamos nossos gastos

Inserida na bolha materna, decidi que a melhor coisa a fazer era trabalhar com roupas infantis e slings. Só esqueci que eu não sei diferenciar algodão de elastano, nem fazer amarrações com os slings. Um dia fui comprar tecido e quem me atendeu disse “você quer malha penteada?” e eu perguntei “como assim? Vocês penteiam o tecido?”. Sim, esse era meu conhecimento do ramo em que resolvi me inserir. Ou seja, nenhum!

Montei um ecommerce e comecei a vender. Em três meses recebi diversas reclamações (alguns elogios também). Certo dia recebi uma mensagem de cliente

– Sabrina, obrigada pelo brinde!

– Que brinde? Eu não mandei brinde…

– Você tem gatos na sua casa não é? Vieram uns pêlos aqui, de presente.

 

Eu não tinha percebido que todo o meu material de vendas precisava ser separado da minha casa. Poderia estar em casa, mas num local específico. Tive também problemas com os Correios. Eu coloquei no site o prazo de entrega, mas não contei que eu tinha tempo de separação, pra levar pra postagem, etc. Os produtos que comprei não tinham uma qualidade, assim, tão boa. Tiveram casos que na primeira lavagem descosturaram.

Foi aí que percebi que toda a minha bagagem com marketing não adiantava nada, já que eu não sabia vender o meu produto pois, não conhecia o meu produto, muito menos o mercado envolvido. Nesses três meses eu perdi dez mil reais.

Nesse mesmo período comecei a ser procurada para fazer freelancers para organizar eventos e dar consultoria de marketing. O retorno financeiro estava chegando e colocou fim de vez no meu ecommerce, que só tirava dinheiro da minha casa.

O dinheiro entrava, mas começou a gerar um conflito interno. Com esses freelas entrava dinheiro pra casa, mas eu acaba tendo horários malucos e acabava sem tempo pra ficar com a Isabela, apesar de ter uma rede de apoio maravilhosa, formada por minha mãe e sogra.

Foi quando surgiu a Rede Maternativa, grupo de mães empreendedoras, no Facebook. Lá eu conheci mães que não tinha bagagem nenhum em marketing e que precisavam de ajuda. Comecei dando dicas de forma espontânea e solidária, fui convidada a dar um curso de marketing e me descobri no nicho de consultoria de marketing.

 

Nesse meio tempo eu tive que me reestruturar para poder render. A Isabela estava crescendo, demandando mais atenção e eu precisando de tempo produtivo. Quando ela estava com dez meses eu percebi que não dava mais pra produzir estando somente nós duas em casa, isso casou com a inauguração da Casa de Viver, um coworking familiar que era exatamente o que precisávamos. Começamos nossa nova rotina com um contrato de 20 horas mensais, que era uma vez por semana, meio período. Comecei a fazer networking e meu trabalho rendia muito mais e em agosto de 2015 começamos a frequentar todos os dias no período da tarde.

Em novembro de 2015 eu fechei um contrato de consultoria para uma mãe empreendedora que mudaria minha trajetória, mais uma vez. Em nossa primeira reunião ela chorou, desabafou, disse que não sabia se aquele era o negócio da vida dela. Tivemos um papo bem de reflexão e eu decidi que devolveria o dinheiro pra ela. Que a ajudaria a achar o propósito dela, que naquele momento ela não precisava de uma consultora de marketing e sim de um coaching de carreira.

Eu tenho formação de Coach e expliquei como funcionava. A conversa terminou com meu primeiro trabalho de coaching para mães.

Durante nosso processo eu descobri o meu propósito! Esse é o meu nicho.

 

Em janeiro de 2016 começamos a frequentar a Casa de Viver em tempo integral – onde podia dividir meu tempo entre atendimentos, mamadas, parada pra almoço, tempinho de brincadeira e mais trabalho. Mantinha meus contratos como consultora de marketing, fazia meu freelas, e conforme entravam clientes eu ia preenchendo minha agenda. Até que em junho de 2016 eu encerrei todos os meus contratos de marketing e comecei a me dedicar exclusivamente ao coaching.

Hoje atingi o número de 53 coachess – clientes de coaching. Meu foco são mulheres que querem equilibrar suas carreiras e a maternidade, mas já atendi quatro pais que tinham esse mesmo foco, como conciliar o trabalho com a paternidade.

E foi assim, nesse emaranhado da vida, que eu descobri o meu propósito depois de falir um ecommerce. Descobrir meu propósito me proporcionou trabalhar e ser feliz, não somente para pagar contas. Hoje eu me dedico a algo em que acredito. Algo que me faz sentir importante e que como consequência me traz retorno financeiro.

E você, já descobriu o seu propósito?

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